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16 abril, 2010

Estamos acostumados a só ver aquilo que é dinâmico, que se agita ante nossos olhos, que acontece. É disso que trata a foto jornalística. E quando nada, aparentemente, está acontecendo? O vento soprando nas ároves ou uma mulher que levanta a mão, com graça, como se fosse soltar um balão. Aí não se vê nada. Mas, de fato, está acontecendo. Essas cenas são delicadas demais ou grandiosas demais para ficarem impressas na retina habituada só ao que é passageiro. São cenas praticamente imperceptíveis a expressão num olhar, um jeito de andar ou uma luz particular incidindo sobre as montanhas.

Nelson Brissac, Paisagens Urbanas

07 janeiro, 2010

Mar branco ou brando

“Com o andar dos tempos mais as atividades da convivência e as trocas genéticas, acabámos por meter a consciência na cor do sangue e no sal das lágrimas, e, como se tanto fosse pouco, fizemos dos olhos uma espécie de espelhos virados para dentro, com o resultado, muitas vezes, de mostrarem eles sem reserva o que estávamos tratando de negar com a boca.”

Saramago - Ensaio sobre a cegueira

06 maio, 2009

Protagonistas de uma novela virtual

A necessidade e a ociosidade acaba por nos lançar no universo virtual, onde qualquer indivíduo que tenha acesso, se torne espectador de uma parcela do nosso cotidiano, sentimentos, imagens e informações. Isso acabou se tornando tão habitual quanto escovar os dentes e calçar os sapatos. É claro, que muitas pessoas ainda não são tão adeptas ou estejam à vontade, com qualquer tipo de exposição virtual. E há também quem ultrapasse os limites do bom senso e da privacidade. Mas hoje, o acesso e a integração nesse meio, nos torna cada vez mais protagonistas e espectadores dessa novela virtual.

Eu sempre tive essa afinidade em comunicar, expressar. Blogueira a mais de 3 anos, hoje também estudante de Design, gero e trato a informação de forma adequada, com soluções estéticas e inteligentes, não poderia ficar de fora desse universo que abre muitas portas.
A cada dia que passa, mais e mais novidades estreitam os laços (ou seriam os cabos?) dessa rede sem limites.

Orkut, Blogger, Fotolog, Flickr, Picasa, Youtube, Deviantart, Linkedin, Lastfm e agora no Wordpress - expondo alguns trabalhos acadêmicos - e no Twitter, além de ser colaboradora do Informe Design - Blog de DG - 5° semestre, da FMU junto com Carlos Santana e Victor Campos.

Enjoy!

08 janeiro, 2009

Leitura #1

Começo aqui uma série de posts voltada pra leitura. O ano mal começou e eu já mergulhei em livros. Terminei dois livros em 3 dias - Entre quatro paredes - Jean-Paul Sartre e Malu de bicicleta - Marcelo Rubens Paiva.

Já comentei com o dono dos livros que esse último, a príncipio, havia me irritado. O protagonista é um galinha sem limites, um putão neurótico e reclamão, que no fundo, no fundo, era inseguro e não conhecia nada sobre as mulheres, ou melhor, conhecia tudo, mas só usava pra tirar proveito das curvas alheias; só pensava em sexo. E com aquela pontinha do feminismo a flôr da pele enquanto lia, torcia pra tudo dar tudo errado com ele.
Bom não vou falar muito, mas a história gira em torno da paixão dele por Malu, a carioca da bicicleta. Uma historia bonitinha, romântica, erótica, sórdida, cheia de contradições e boca suja, em um momento ou outro o personagem quase se redimiu pela minha afeição, mas ainda continuo achando que é um cuzão.
Posso dizer que gostei da disposção em que a história se desenrola, do humor de baixa categoria. Não conseguia parar de ler, e no fundo deixa o gosto (des)conhecido de amor, traição e confiança.

Malu costumava me olhar enquanto eu dormia, Só descobria quando abria os olhos surpreendendo-a. E cheguei a perguntar:
"O que você está vendo?"
"Você."
"Você não dormiu?"
"Não costumo dormir a essa hora."
"Ficou me vendo dormir."
"É."
"Por quê?"
"Porque é bonito."
"Eu dormindo?"
"É."
"O meu rosto?"
"Tudo. Você tem umas pernas bonitas"
"O que são pernas bonitas?"
"Assim. Branquinhas, fininhas, com estas pintinhas"

Passamos quatro noites naquele quarto. Contando pintinhas, catando cabelos, alisando sobrancelhas, deslizando o dedo em dobrinhas, procurando ler retinas, conhecendo as orelhas, escutando a barriga roncar, roendo cutículas, ouvindo os tons e escutando as batidas dos nossos corações. Trepávamos antes e depois do banho. E antes e depois de comer.