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12 janeiro, 2011

Espaço
Um ano novo chega, mais um post também, mas nem vou falar sobre sonhos e responsabilidades que se escondem por detrás das cortinas, mas de descanso, um pouco de medo e também felicidade que passaram por aqui nesses dias de formalidades, de festas e de férias.

Um lugar que permite ver o céu de ponta a ponta, sem verticalidade urbana e a possibilidade ali, diante dos olhos, a contemplar um céu multicolorido após as 19hs. Porque lá nunca é tarde, é atemporal onde os ponteiros mais parecem arrastar arados com o gado.

Lá fora, um mato que gruda nas calças mas que no fim do dia você nem se importa. Uma terra morena que floresce qualquer caroço esquecido por pássaros. Coisa besta assim de turista com olhar de criança em ver animais que não estejam por detrás de jaulas, assim soltos, assim livres.
A provar frutas do cerrado colhidas com as próprias mãos com medo ao lembrar de quando criança, a mãe não deixava colocar qualquer coisa assim na boca. Crianças assim criadas nos corredores de supermercados e sabonetes e lavabos.

Só se é livre quem faz da mente quadrada de um paulistano que só sabe pisar no asfalto fervilhando um contemplar mais apurado. Pois existem outras belezas além da janela do 21° andar.

Religião
Como sempre cita uma amiga minha "...Cicatrizes nos lembram aonde estivemos, mas não determinam para onde vamos..."
E fez-se um rasgo no meu peito.
Nunca é cedo pra levar tapa na cara mas nunca é tarde pra voltar pra casa com as malas maiores. Livre-arbítrio certo?

Parafina, whisky, senhora dos pássaros com dedos-longos-de-moça, "portão de ferro e cadeado de madeira...".

Agora eu me tranquei. E só sei que ainda existem pessoas boas. E quem eu amo foi criado por elas.

19 novembro, 2010

O dia acabou e fica aquele gosto amargo e uma sensação estranha. O (in)esperado na linha tênue entre felicidade e decepção.

01 maio, 2010

A maioria dos dias do ano são comuns. Eles começam e terminam, sem nenhuma memória durável nesse tempo.
A maioria dos dias não tem impacto no decorrer da vida.

1 de maio era uma quinta-feira.

16 abril, 2010

Estamos acostumados a só ver aquilo que é dinâmico, que se agita ante nossos olhos, que acontece. É disso que trata a foto jornalística. E quando nada, aparentemente, está acontecendo? O vento soprando nas ároves ou uma mulher que levanta a mão, com graça, como se fosse soltar um balão. Aí não se vê nada. Mas, de fato, está acontecendo. Essas cenas são delicadas demais ou grandiosas demais para ficarem impressas na retina habituada só ao que é passageiro. São cenas praticamente imperceptíveis a expressão num olhar, um jeito de andar ou uma luz particular incidindo sobre as montanhas.

Nelson Brissac, Paisagens Urbanas

16 março, 2010


Itanhaém-SP / 2010


Vontade de ir pra i, prainha
Vontade de ficar na minha
Onde o sol à tardinha se esconde
Onde a noite escura nem é
Onde o mar vem lavar o meu pé
Onde só não me sinto sozinha

27 janeiro, 2010

2

Eu aqui nessa virtualidade, me sinto subindo naqueles palcos iluminados por refletores com fios desencapados, dizendo "alô" e ziiim, a microfonia causando incômodo em quem quer que esteja presente, nessa platéia espreitada dessa nossa vida.
Queria recitar nesse palco um poema bonitinho, daqueles de tirar suspiro quando eu dissesse "fim", sem ser o fim na verdade.
Bem, o pouco da lucidez que me resta depois de um exausto dia de embaraços, eu só queria dizer uma coisa, ou melhor, eu só queria escrever uma coisa, o tempo é relativo. E ao lado dele, o tempo decola pra bem longe sem qualquer vestígio de passado. E quando longe estamos, é, ficamos a contar os dias, confundindo as estrelas e as fases da sra. Lua.
Um ano e meio, dez letras, ou diversos dias passados num calendário velho, que não são capazes de contar toda e qualquer história, essa nossa doce vivida história, que não dura apenas com olhares, com abraços e beijos à meia-noite, mas que também sustenta-se do silêncio, do beijo na fronte, que por alguma razão, significa respeito, acrescentado de paciência e dedicação.
Das mãos dadas debaixo de Sol e tempestade, dos risos e lágrimas através das linhas, sempre estarei nessa cidade, amando nesse coração.

26 novembro, 2009

The Lake - Antony And The Johnsons


Pra formar aquela bolha de melancolia ao redor, num quarto escuro, trancado.

20 novembro, 2009

Existindo


Os melhores presentes são aqueles entregues com o coração, com a alma, com intuito de carregarmos neles a lembrança eterna do carinho, do amor, sejam eles em matéria ou em desejos, em palavras proferidas, nos atos, na melhor hora da noite, do dia.
A passagem aqui só vale a pena assim, rodeada de eternas lembranças, que muitas vezes só se eternizam quando são escritas, mas ainda assim, sempre lembranças.

Moleskine - ou livro vermelho.
Um livro por May&Mathias
E acho que nem precisamos de mais 998 Tsurus pra dar sorte.

14 outubro, 2009

O cansaço vem, com o corpo querendo assim, despedaçar.
E a cabeça que não desliga, assim, com todas as coisas que ainda se julga, se sonha, se dói.
E o coração, preso à cabeça, ao corpo, sem saber se deve ficar.

A vista é mais turva do lado de fora. E os problemas também.

19 agosto, 2009

O fim é só o começo

Cada dia que o fim da vida acadêmica se aproxima, mais vejo o início de um ano sem fim, e como se não bastasse, tenho disciplinas adaptáveis acumuladas pra dar e vender. Aí me dizem, " Você ainda tem 1 ano e meio pra tudo isso", e eu respondo: "Só?"
Pra quê vida né?
E eu, que sempre me considerei uma pessoa com baixo-nível de uma atual raridade - e invejo quem tem - a paciência, descobri que, com o MEU trabalho e MINHAS tarefas, ela é algo que impera, quase atingindo ao Nirvana quando praticada. O problema não são as coisas na qual fazemos com paixão e determinação, mas as pessoas envolvidas.
Mas, agora, com o pé direito numa produtora, mais e mais tenho obtido uma postura madura e profissional quanto a certos problemas. E atritos acadêmicos, acabam se tornando miséria e medíocridade perto do abismo real.

Ultimamente tenho tido mais a ânsia, a dúvida, em qual segmento me aprofundar nos próximos passos... Fotografia? Cair de cabeça em motion com After Effects? Ou Web? Ó vida! Porque estou numa área tão fascinante e tão cheia de caminhos? Sei que, quanto mais eu sei das ferramentas gráficas, mais tenho o que aprender. Aí vem os meios digitais e as maravilhas tecnológicas pra aguçar ainda mais a minha sede de conhecimento e a vontade de integra-los. Claro, não adianta também querer ser expert em todos os segmentos que o Design oferece, mas é sempre bom saber que existem caminhos. E ser estudante é só o começo.

10 agosto, 2009

Copo cheio

Existem coisas que não se pode reverter, não se pode limpar. Quando há muito o que engolir, num piscar de olhos o copo transborda. E já é tarde demais pra impedi-lo que manche a toalha branca.

23 julho, 2009

Uma incógnita de nome Terapia

Eu já fui secretária particular de uma psicanalista aposentada, e sempre depois de agendar uma sessão com sua terapeuta familiar, ela dizia: "Santo de casa não faz milagres", isso soou durante anos como incapacidade de resolver seus próprios, assim dizer, problemas, ainda mais quando se tratava de uma profissional, já digna de seus méritos encostados na parede.

Creio que após carregar tantos fardos na vida, e depois de 9 anos após um dos períodos mais conturbados, cogitei a possibilidade. Estou protelando enfrentar, o que muitas vezes, pode parecer algo tão óbvio, mas que no fundo tem seu fim no poço escuro. Aí a dúvida, dá aquele amargo na boca, aquele medo de não conseguir pronunciar sequer uma palavra, quanto mais algo tão secretamente guardado, que é a causa mais evidente.

01 julho, 2009

1,2,3

...um passo [ou 4 gatos?] por vez.

Confesso que estava descrente e já até pensei em desistir, quando resolvi dar um passo por vez. Mudei de traços, de Universidade, recorri à diversos recursos que complementassem o conhecimento obtido no meio acadêmico, mas quando mudei o pensamento e voltei a exercitar a minha capacidade e auto confiança, tudo começou a melhorar.
Os sonhos geralmente estão acima do céu, mas quando decidi que um passo valeria mais que degraus duplos, previni o tombo, aprendi que paciência vem com a auto confiança. Hoje, um novo passo, um estágio na qual de conhecimento e amadurecer, ninguém tira.

Uma vez me disseram que a imaginação valia mais do que conhecimento, é bem verdade que ela é essêncial pra nos lançar à lugares, a princípio, inacessiveis, mas sem esforço, de nada vale.

À todos,
1% de inspiração e 99% de transpiração

Um dia eu chego lá...

...e neste caso, eu ainda sou só um macaquinho .

30 maio, 2009

Quando a gente se cobra demais

...dá dor de cabeça; sai de onde estiver com total insignificancia, decepcionado; na volta pra casa, pensa nas possibilidades impensadas; nos caminhos que nos foram mostrados, mas que não houve tempo, não houve processo pra executa-los de maneira adequada. Eu sei, isso nem é desculpa, mas eu que me cobro demais, eu que me encontro numa determinada condição, tenho um certo problema com mediocridade, com meio-termo, com trabalhos mal feitos, porque o que é pra ser feito, que seja bem feito, da melhor maneira possível.

E eu já nem sei o que tem valor hoje.

08 maio, 2009

Cheiro de casa

O quarto passa a ser sempre o único lugar que nos mantém ímpar de qualquer coisa externa que atinja o peito, ou que nos lança em corredores de circunstâncias e portas de escolhas, mas nem sempre o quarto tem cheiro de casa.
O quarto é o que nos equilibra sobre a tênue linha entre a razão e os sonhos, mas as vezes queremos que ambos estejam presentes nesse quarto, tecendo as cortinas que permitem entrar um ar menos imundo.
Nesse mundo, haverá sempre dois mundos, ou melhor, haverá sempre quartos com portas, abrindo e fechando, misturando o ar dos sonhos com a realidade.
E nos bons momentos existe sempre um cheiro característico de algum cômodo. Mas é nos ombros que se sente o cheiro de casa; quando o atormento bate à porta e sorrateiramente adentra pelos vãos das barreiras, misturados às particulas de pó, furtando a inôcencia e lubrificando os olhos com as mais limpidas lágrimas.
O cheiro de lar sobre o ombro de quem ama é onde se encontra o fôlego pra esse ar rarefeito, nos tornando menos imperfeitos, diminutos, fatigados com esse mundo, prontos pra fechar portas e abrir janelas.

10 abril, 2009

Eu, que morri à um tempo, renasci diversas vezes.
Morri de novo com toda força que tinha descoberto, com todo amor que achava certo. Mas leva um tempo, e renascemos de novo, e de novo e de novo, até morrer de vez.

Saio sem saber se volto.
Volto sem saber se fico.
Fico presa à todas as coisas que me fizeram morrer, à cada lágrima escondida, à cada dor sem fala.

Eu, que um dia vivi, cerro os olhos no melhor momento, com toda essência que não cabe mais aqui, pra esquecer do tempo que voa lá fora e do que um dia jamais se tornou realidade em todas as preces, de que a flagelação já não tocasse com tanta força o que resta, pra dizer que o amanhã é certo, pra dizer que está tudo bem.

01 abril, 2009

É tudo mentira!

Foi-se o tempo em que pregávamos peças em quem quer que seja, com a desculpa do dia da mentira, dia que permitia ser qualquer coisa que não valia em qualquer outro dia. Hoje quem prega peças é a vida. De uma hora pra outra você é o protagonista de uma piada infame, tentando acrescentar ação ao seu personagem, achando que pode, que deve, dirigir esse roteiro mal acabado, mal organizado, nessa história cheia de conflitos, onde o fim é certo e quase que próximo.

1 min. aqui, no próximo sabe-se lá...

Talvez aquele seminário não seja apresentado; aquela ligação não seja feita; aquele jantar esfrie; aquelas contas serão pagas, por outras pessoas; aquela melodia, muda; aquele livro, pela metade; aquele olhar, cerrado; aquele diploma, mofado; aquelas roupas serão lavadas, dobradas, guardadas e um dia, doadas; aquele monte de papel e tralhas da qual custava a se desfazer, em pouco tempo, serão rasgados, empilhados e dissolvidos, sem deixar rastros de qualquer evidência da sua existência.
Todos os sentimentos morrerão na boca, no peito, na alma e todo tempo gasto numa vida, será varrido como pó.

Que irônia! Nem um cafézinho, muito menos um abraço pra dizer adeus.

26 fevereiro, 2009

Sonhos

Eu já sonhei que sonhava, quando na verdade, esquecia como era sonhar na realidade.

Todo mundo um dia já se viu nú na escadaria do colégio; correndo com angústia no peito e atraso nos pés ou tomando parte de socos, quando as mãos nem sequer tocavam o adversário.
Custa lembrar dos sonhos, quando estamos mais aqui, do que lá.

Interpretam os sonhos como uma experiência da imaginação do inconsciente ou presságios.
Na noite passada... "Eu estava num cemitério, daqueles monumentais; um menino com aproximadamente 3 anos, atendia por Rafael, pedia abraço, colo e me chamava de mãe. Um outro menino da mesma idade, também queria atenção, mas era como uma criança perdida entre aqueles corredores de estátuas. Eu tentava amparar ambos.
Depois o sonho passa para outro episódio onde crianças negras brincavam no meio de papelões e plásticos nas proximidades da faculdade. E eu andava incansavelmente em volta de muros brancos, grandes e descascados, dizendo: "eu estudo lá". E vinha rostos pouco conhecidos, sentados, desenhando debaixado de tendas".
Estranho, porém lembro de cada minuciosiosidade como se fosse realidade.

Segundo sites por aí, sonhar com:
Cemitério - Se o tempo estiver bom: alegria.
Prosperidade. Saúde para as pessoas do sonho.
Criança - Simbolizam a pureza da alma, o desejo de ser um(a) protetor(a). Também pode representar pontos fracos na sua personalidade, como sentimentos de fragilidade e ingenuidade. Criança bonita e saudável: alegria, sucesso.
Lixo - Amizades estranhas.
Muro - Obstáculos no processo, aborrecimento ou desejo de se proteger.


Se a maior parte dos meus sonhos fossem representados audiovisualmente, seria assim:


Moodorama - Never mind

...sempre retrocedendo, sempre em slow, com cores contrastantes e imagens soluveis.
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9a.m. da quinta-feira, o telefone toca, e algumas coisas se encaixam.

17 fevereiro, 2009


Tipo: B+
Hemoglobina: 12
Hematocrito: 34
Eritrócitos 3,62
Plaquetas: 120.000 mm3
Leucócitos: 4.700 mm3
TTPA: 16,4 seg
Fibrinogênio: 90mg

Por quanto tempo o corpo aguenta com o sangue esvaindo até uma parada cardíaca? Minutos?
Dá tempo de repensar? Dá tempo de reverter? Até que ponto você intervirá? E se passar desse ponto? Quem intervirá por você?
Por quanto tempo sentado, você aguentaria ver seu sangue escorrer, com os pés no piso frio, e a poça vermelha aumentando em volta deles?
O que antecipa? A vista turva? A palpitação? As extremidades roxas? O coração forçado? Ou o desespero?
O que resta depois de tudo? Um choro? Um grito? A roupa manchada? O chão fedendo? Ou uma página virada?

Todo mundo cuida do corpo porque não terá onde viver. Principalmente quando se sabe que ele pode sabotar sua passagem a qualquer instante. Continuamos sustentando esse santuário, essa arma de desespero. Mas até que ponto isso depende de nós?

Eu costumo dizer que o ser humano se adapta à qualquer condição que lhe é imposta. Mas se perguntarem sobre cansaço... o estoque de argumentos e esperanças estão acabando.