29 novembro, 2008

Design #3

"Quando não se sabe escrever é comodo dizer que a caneta não presta."

O mesmo vale para falta de postura, comunicação, proatividade em um grupo. Quando existem essas falhas num profissional, ou no caso, um pseudo futuro profissional, é comodo apontar o dedo para os outros depois que um projeto está pronto.
Gerenciar não é operação de uma ou duas pessoas, mas uma divisão de tarefas dentro de cada perfil, uma colaboração de todos os envolvidos. E quem não sabe se adaptar em qualquer relação que exige comunicação e responsabilidade, pode tirar o seu da reta, porque gerenciar e projetar exige tudo isso.



Sei que conflitos existem, desde que eles sejam compreendidos durante o processo e não depois que finalizamos.
Pessoas com essas falhas, quem sabe um dia, com muito tapa, cresce, ou tem mais é que se foder mesmo!

E ainda temos que "competir" com micreiros, semelhantes à macacos aparentemente mudos que pulam de galho em galho, quando na verdade estão praguejando por detrás.

25 novembro, 2008

Reações Previsíveis

A convivência é algo que nos ensina a captar as reações alheias.
É claro que muitas vezes o orgulho mascara muitas delas, mas quando falamos da intimidade, ou do conhecimento da personalidade pelo tempo que a convivência toma conta, as reações são realmente previsiveis. Como na inveja sobre a competitividade. Isso é algo que muitos não conseguem esconder, evidênciando no tom da voz, em objetos lançados em movimentos bruscos e até numa nova forma, ríspida e intragável, de te tratar e lançar um olhar. O reconhecimento é sempre almejado nesses casos. E quando se reconhece o ofício alheio, com sentimentos corrosivos, custando olhar pra dentro e ver o que há de errado, sempre existirá criticas desconstrutivas, continuando com reações tão previsiveis quanto a excelência do trabalho alheio.
Ou então, a previsibilidade está na mudança do status de relacionamento, que toma todo o tempo e autonomia de alguém. É quando as pessoas não sabem mais tomar decisões, pois vivem em função da agenda ou vontade do parceiro. Sem contar que se caso essa relação acabe, a culpa vai ser do outro, claro.

Posso citar também as reações, ou melhor, as reclamações de quem tem menos idade que deveria pra se queixar tanto, de coisas sem sentidos, contraditórias.

Não preciso mais de uma bola de cristal.
A medida que o tempo passa, a previsão se torna mais presente nas reações, do que as pessoas no cotidiano, ou em um evento que acontece uma vez ao ano, como um aniversário.

18 novembro, 2008

Fazer 25 anos...

...é como estar numa corda, do balançar entre a inocência e a vulgaridade; da serventia e a vaidade; do amadurecer e o apodrecer; da certeza e o cansaço.
É contar as vindas e idas, de quem arrancou de você o melhor e o pior. Levando embora, ou deixando marcas.
É pensar sobre sua carreira que ainda se encontra nos portos e ter que arranjar um jeito de caminhar como tantos, quando na verdade você só quer voar e lançar pra bem alto, tudo que conquistou até então.
É lembrar de colares adornados enquanto passava creme da mãe escondida no banheiro, e hoje já usar Renew no rosto e Chronos nas mãos.
É achar que algo no passado foi à pouco tempo, quando na verdade passaram-se mais tempo que as areias puderam contar.
É a transição dos 20 e poucos pros 20 e tantos.
(...)
Além de tudo isso, não é apenas fazer 25 anos, mas uma mulher, espetacularmente chegar aos 25 anos.
E ainda ouvir várias bobagens, de que uma mulher chegar aos 25 sem namorado, pode ficar encalhada.
Que mulher é essa que com isso ficaria encanada?
Sem dúvidas, uma mulher insegura, sem auto-suficiência e amor próprio.
Modestamente, não é assim que me encontro, pois chego aqui com amadurecimento, sem neuras sobre lendas urbanas e com um namorado, 5 anos mais novo.
Posso dizer que tudo na vida é uma faca de dois gumes, mas pra mim o que importa hoje é a pura essência do querer bem e me fazer bem, independente de primaveras a mais ou a menos. O que importa é sentir-se bem e maravilhar-se com as semelhanças; respeitar as individualidades e diferenças. Ou melhor, tudo certo, na medida exata do meu amor, na medida exata com que o tempo resolveu me presentear.

Quanto ao amor próprio, descobre-se sozinha. Mas é claro que é bem difícil conseguir esse amor, nesse mundo leviano que arrastamos por aí, fingindo que tudo esteja correto, e que não nos importamos com tudo que nos surra a face, entonando as linhas do rosto precocemente.

O tempo passa. Será que continuamos os mesmos no rosto, nos gostos...?
Quando chegamos até aqui, não há ninguém que possa ensinar sobre o amor, sobre a vida, sobre a dor.
E posso dizer que até então, estou no meu ápice das descobertas de imagens refletidas nesse espelho, do pouco pedaço de terra que conheço. Procurando ainda entender o mundo, insatisfeita com tantas rachaduras que ele apresenta, mas pronta pra mergulhar em novos ciclos, em novos vícios, em novas (inov)ações... Sem medo do tempo que gradativamente morre como cinzas entre os dedos.

Posso até me cansar em comparar as resenhas das primaveras passadas, e ver que nem tudo que esperei mudar, mudou. Mas hoje é satisfatório um pedaço meu chegar até aqui, sendo essa mulher (in)completa quem sou e ainda contar uma história - triste ou não - com tantos dedos e gatilhos apontados no caminho, com tantas dores e lembranças, mas ainda assim uma história; de quem enche os pulmões com esse ar imundo, tentando evitar o inevitável...
E apesar de tudo, sei encontrar uma flor nesse lodo. E se ajoelho pra colher a flor, sentindo dela o cheiro do orvalho evaporado, é porque muitos ainda fazem valer esse amanhecer; essa inevitabilidade toda que se encontra no evento da vida.
Por isso, agradeço a companhia nos invernos e primaveras. Agradeço as lembranças e o afeto, todas guardadas na caixa da memória.

Fazer 25 anos é lindo.
E ser adulta ainda não me privou de amar, de ter esperanças e acreditar no ser humano e no que esse evento louco e insano da vida tem a me proporcionar.

17 novembro, 2008

Love of my life - Dave Matthews Band feat. Santana



Where you are, thats where I wanna be
Through your eyes are all the things I wanna see
In the night you are my dream, youre everything to me

Youre the love of my life and the breath in my prayers
Take my hand and lead me there
What I need is you here

I cant forget the taste of your mouth
From your lips all the heavens pour out
I cant forget when we are one
With you alone I am free

Everyday, every night, you alone are the love of my life

We go dancing in the moonlight
With the starlight in your eyes
We go dancing till the sunrise
You and me, we're gonna dance, dance, dance

14 novembro, 2008

Carrie saves days

"Mais tarde, fiquei pensando em relações tensas. Quero dizer, na conexão da relação, com o passado, futuro e presente.
Todos tivemos relações que estão longe de serem perfeitas. Mas essa relação passada afeta nosso sonho de um futuro perfeito?
Enquanto ficava mais tensa, não pude deixar de pensar...

É possível chegar ao futuro, se seu passado está presente?"


Frase pertinente de Carrie Bradshaw no 3° cap da Season 6 em Sex and the city.

Ás vezes acho que só ela me entende. Mas é claro que toda mulher, ao menos uma vez, já se identificou com as situações e questões pertinentes de Carrie ao longo da série. E é um alívio saber que ao menos uma vez, independente de estar em São Paulo ou New York, as mulheres são iguais, como na cor do batom, no estômago doendo de risos numa tarde com as amigas, na imagem refletida rapidamente e secretamente em qualquer espelho, em alguma mania trancada no banheiro... E um pouco de neura, na casa, na chuva, na fazenda e na relação...
Ah! Mulheres viu!
Só precisamos de um pouco de carinho; da certeza, mesmo que aquilo não seja durável; de uma blusa nova pra deixar mais bela até o fim da noite; Prímoris 15 dias antes da tpm, e claro uma sessão com Carrie Bradshaw.
Ela sempre salva o dia. Mas isso não muda muita coisa, quando na verdade, você só precisa olhar um pouco mais pra dentro e de uma conversa sincera. Só pra dar aquela certeza de que está tudo bem. E de que seu presente é perfeito da maneira que te presentearam.

13 novembro, 2008

Design #2

Chegar da faculdade depois de um dia corrido tira um pouco do seu apetite, mas quando se tem muito trabalho pela madrugada é sempre bom recorrer à coisas rápidas pra enganar o estômago

23:30 - Resolvi fazer aquelas sopas de caneca. Só esquentar uns 200ml de água.

Como alguns sabem, gosto de cozinhar. Sou bem organizada e prática na cozinha. Mas quando se trata da falta de tempo + madrugada, não dá pra elaborar um prato muito requintado ou calórico.

23:35 - Tomei coragem e comecei a trabalhar no desenho técnico de um projeto de mobiliário urbano - protetor de árvore - da faculdade. Um projeto consideravelmente de médio porte, que é uma das notas finais do semestre. E além de cansativo e chato, o projeto está atrasado. E quando eu começo a consertar as minuciosidades vetoriais, eu esqueço do resto do mundo. Cálculos, cotas, estruturas metódicamente encaixadas, travas, enfim, tudo aquilo que um estudante pode suar pra uma metodologia de projeto de produto bem resolvida, com uma menor margem de erros no processo.

00:15 - Ouço uns estalos vindo da cozinha. A príncipio achei estranho e confesso que bateu até um medo.

00:20 - Sinto um cheiro contaminando o quarto. Algo característico à plástico queimado.
PLÁSTICO QUEIMADO?
Uma impulsão me fez subir as escadas cegamente, enquanto imaginava a cozinha pegando fogo.
A água já havia secado a vários minutos atras e o odor do cabo queimado já havia contaminado os corredores, sala e cozinha.

Não precisa nem dizer que perdi a fome. E ao menos, foram 200ml de água evaporada em minutos, uma chaleira passado do ponto de ebulição, seu cabo quente e fedendo pela casa, e um projeto que continua atrasado.

Depois ainda me contestam quando eu digo que assim que eu pegar meu diploma de bacharel em Design, já me encontrarei num estado agudo de esquizôfrenia. rs

05 novembro, 2008

Design

Hoje é dia do Designer!



by may

E uma semana importante pros estudantes e profissionais da área.
Na segunda-feira (03/11) deu inicio à Semana do Design, dentro e fora das universidades. Começando pelo evento Viver Design SP http://www.viverdesignsp.com.br
Não só palestras e seminários, mas pode-se conferir parte do projeto exposto em galerias de arte, museus, e até nas estações de metrô.
Um pedacinho espalhado pela cidade, e aos poucos, a integração e importancia do termo e do sentido Design agindo sobre a população.



by may


Se trabalharmos pensando não apenas na comunicação de uma forma original, mas também saber integrar a sustentabilidade, seremos os profissionais do futuro.
Não basta projetar algo inovador à medida das nossas necessidades mas precisamos ter a consciencia do equilibrio no meio em que vivemos.



by may

Mas voltando um pouco o disco, ou melhor a história. Será que podemos considerar Walter Gropius - fundador da Bauhaus, primeira escola de Design - como o pai do Design?
Creio que seja impróprio, com tantos artistas, como William Morris, que antecederam a Revolução Industrial, em movimentos como Art Noveau, Art Decó, são hoje, considerados designers pois fizeram funções de designers, sem saber que eram um. Sem contar sobre as épocas primitivas dos artesãos, antes da transição da manufatura para industrialização. Então quando foi que nasceu o Design?
Acho que o homem sempre foi um Designer.
Deus é um Designer rs
Mas vale ressaltar a importância de cada um, no desenvolvimento do Design: Bruno Munari, Bernd Lobach, Alexandre Wollner - que é um designer importante para o Brasil - irmãos Campana, Guto Lacaz (...) Entretantos, entreoutros.

E pra finalizar, um pouco de humor.
Bem realista, mas melhor rir do que chorar rs


Cia Barbixas de humor

Já faz um tempo que conheço e admiro o trabalho da Cia Barbixas de Humor.
Tudo começou com o espetáculo "3", no Teatro Gazeta. E em seguida "Onde está o riso?" no Teatro Jardim São Paulo.
A partir daí acompanho o trabalho e crescimento do grupo.

Nesse último fim de semana fiquei sabendo que o espetáculo "Em breves" está em cartaz até o fim do mês, e na busca de informações, eis que surge uma oportunidade de conseguir um par de ingressos, com a promoção "Blogresso"

O blogueiro deve postar um dos vídeos do espetáculo, disponivel no
  • Youtube
  • , e resumidamente comentar sobre da promoção - o que estou fazendo agora - e então mandar um email com o link do post para: contato@barbixas.com.br

    Booom não custa tentar. Será que eu consigo?
    Ou será que teria que implorar por ingressos, já que meu aniversário está chegando!
    E não custa dar uma forcinha também e divulgar um dos mais divertidos espetáculos de comédia.

    Então, tá aí a dica:



    O Coiso - Barbixas

    Choreeei com esse vídeo

    03 novembro, 2008

    Murakami #3

    A situação era sempre a mesma. Manhã de domingo. Luz matinal serena, que existe em qualquer lugar. A veneziana da janela. As costas nuas de uma mulher. Os dedos de um homem que alisam suas costas. Na parede, uma reprodução de Le Corbusier. No quarto, há um aparelho de som. Há um vaso também. Nele havia uma flor que parecia margarida. Roupas espalhadas pelo chão. Vê-se uma estante de livros.

    25 outubro, 2008

    noBody's perfect

    Corpo
    Essa matéria de uma natureza quase morta que até então nos sustenta aqui sob visões delimitadas, é o que acaba criando discussões fúteis, ou melhor, direciona as coisas de maneira fútil.
    Maquiagens que impedem a respiração; entupindo os poros; putrefando mentes e seus modos; causando dissoluções nos ideais e na auto estima; julgando espelhos e furtando inocências.

    Abra uma revista feminina e lá estão imagens e diagramas em como ter uma cinturinha fina; Como bronzear e tornear as pernas para o verão; Decotes para valorizar seus volumosos seios (...)
    Abra uma revista masculina e lá estão mais imagens editadas, transformando mulheres em plasticidade e fantasia apetitosa num top 10 de beldades.
    O mesmo vale para os estereótipos masculinos, mas acredito que a mulher é sempre mais afetada com esse tipo de "exigências" que giram em torno dos dois mundos.
    (...)corpo, boa forma, beleza, dietas miraculosas(...) são os príncipais temas abordados nos maiores veículos da comunicação e do marketing.
    Agora, eis as questões: Que beleza é essa da qual tanto falam? Qual a melhor forma? Um corpo só é aceito e notado quando se encaixa em padrões estabelecidos? E as comparações? Existirá sempre um novo estereótipo, com aspectos delimitados?

    Claro que as diferenças culturais tem o poder de estabelecer determinados pontos para distinção e reconhecimento. E que a estética acaba se tornando uma teoria do gosto, de experiências, bem pessoal. Mas isso é bem diferente da imagem que construimos por influências.

    E confesso, tem horas que me sinto diminuta à tudo isso, mas me calo.
    Não faço apologia à desleixo. Porque manter o corpo sanado não é sinônimo de sarado. E ser saudável está bem longe de toda essa obsessão.
    Sem falar que as discrepâncias e comparações muitas vezes se tornam o incômodo alheio. Já vi, muitas vezes, a importancia que as pessoas dão ao corpo alheio quando na verdade esquecem do tempo gasto, sem saber que a conta no médico ficará bem alta com essa falta de importancia que ela dá pro seu próprio corpo e na maior parte das vezes, pro seu caráter.

    Isso tudo faz do corpo uma penitência. Um aspecto que corrompe à maior parte, senão, toda.
    Uma violação, que arranca de nós as escolhas e a aceitação. Cada pedaço de ninguém que ninguém quer mudar. E eu, não quero mudar nada aqui, só quero mudar tudo lá.

    Goste ou não, meu corpo e o seu nunca serão perfeitos, mesmo porque a perfeição não existe. E um dia essa matéria morrerá, e não haverão toxinas que possam recuperar todo esforço de uma vida leviana.

    11 outubro, 2008

    Murakami #2

    - Deve dançar - disse o homem carneiro. - Enquanto a música estiver tocando, você deve continaur a dançar. Entende o que quero dizer? DANÇAR, CONTINUAR DANÇANDO. Não deve pensar no motivo e nem no sentido disso, pois eles praticamente não existem. Se ficar pensando nessas coisas, seu pé ficará imóvel. Uma vez parado, já não serei capaz de agir. Já não restará nenhuma conexão com você. VAI SE ACABAR PARA SEMPRE, ENTENDEU? Daí, só lhe restará viver unicamente neste mundo. Cada vez mais será sugado para ele. Por isso, não deve parar de mover os pés. Por mais que lhe pareça uma tolice, não deve ligar. Deve continiar dançando, dando os passos. Deve ir amolecendo, mesmo que aos poucos, tudo o que estava completamente rígido. Ainda deve haver algo que não esteja perdido. Use tudo que puder usar. Dê o máximo de sí. Não há o que temer. Você deve estar mesmo cansado. Cansado e com medo. Qualquer pessoa passa por esses momentos. Sente que tudo está errado. Por isso ficam inertes.
    Ergui os olhos e fiquei olhando a sombra na parede.
    - Só lhe resta dançar - continuou o homem-carneiro. - E dançar de modo exemplar. A ponto de todos ficarem admirados. Pois, assim, talvez eu consiga ajuda-lo. Por isso, dance enquanto a música estiver tocando.
    DANCE ENQUANTO A MÚSICA ESTIVER TOCANDO!!!

    Do livro Dance, dance, dance - Haruki Murakami

    23 setembro, 2008

    Lonely - Yael Naim



    You are not alone
    I am here with you
    Even when you're scared
    I'll never leave you
    Standing in a storm

    Making it insane
    Once again, I would try
    To enchain you
    But you open your eyes to the sky
    and whisper

    [Chorus]
    That you are so lonenly
    You are so alone
    You're so alone
    You're so lonely, so lonely

    So I'm colouring my face
    While I am here with you
    Imagining the landscape of your sorrow
    Is it yellow or blue?

    Colouring the sky, and the threes
    and the clouds, and the moonlight
    I'd coloured your heart
    If you didn't I did

    [Chorus]

    And I wish you could just find home.

    12 setembro, 2008

    Mesmo que endurecida, guardava a possibilidade no fundo de uma gaveta. Hoje, a gaveta encontra-se vazia. No mundo, nem mesmo um pedaço de mim restará, somente gaveta vazia.
    E não se sente falta de algo que nunca se teve.

    04 setembro, 2008

    Murakami #1

    [aperte antes o play]

    (...)“Por outro lado há pessoas que sentem atraídas pela minha Sensatez. São poucas. Mas elas existem. Elas e eu somos como dois planetas que gravitam na escuridão do espaço, naturalmente se atraindo e se repelindo. Elas vêm à mim, relacionam-se comigo e um dia vão embora. Elas se tornam amigas. Em certas situações elas se tornam oponentes. De qualquer forma, todas acabam se afastando de mim. Algumas desistem, outras se decepcionam, outras silenciam e acabam indo embora. No meu quarto existem duas portas. Uma é a entrada e a outra é a saída. Não há como confundi-las. Não se pode entrar pela saída, nem tampouco sair pela entrada. É algo definido. As pessoas entram pela porta de entrada e saem pela porta de saída. Há diversas maneiras de entrar e de sair por elas. Mas, independente do modo como entram e saem, no final todas acabam saindo. Uma pessoa saiu para tentar uma nova possibilidade, a outra para não perder mais tempo e a outra morreu. Não sobrou ninguém. Dentro do quarto não há ninguém. Somente eu. Sempre tenho consciência da falta que sinto dessas pessoas. Destas que se foram. Percebo que suas palavras, sua respiração e seu cantarolar ficaram impregnados na casa como partículas de pó.
    Provavelmente elas conseguiram enxergar uma imagem pouco distorcida do que sou realmente. Esse deve ser o motivo pela qual elas se aproximam de mim e depois se afastam. Elas reconheceram meu esforço de ser sincero – não consigo encontrar outra explicação – e procuraram acreditar nele. Tentaram me dizer algo e fazer com que eu abrisse o coração. A maior parte dessas pessoas era dócil e carinhosa. No entanto, nada pude lhes oferecer. Mesmo que eu pudesse lhes oferecer algo, esse algo parecia insuficiente. Sempre me esforcei para dar o melhor de mim. Tudo que pude fazer eu fiz. Eu também desejava algo delas. Mas, no final das contas, nada dava certo. E, assim, partiram."


    Do livro Dance, dance, dance - Haruki Murakami

    A leitura desse trecho acaba tendo um acabamento primoroso quando acompanhada da música [vide vídeo abaixo]: Solitude#2, do compositor e instrumentista contemporâneo Ryuichi Sakamoto, que faz parte da trilha sonora do filme "Tony Takitani", que é uma adaptação do livro de mesmo nome, do Haruki Murakami. Mas aí já é uma outra história. E independente de citar e misturar as obras, Murakami tem sempre sua peculiaridade, aquele sabor reconhecível quando se trata de uma narração num mundo bizarro, dos amores efémeros e claro, da solidão, o que me encanta e só torna minha apreciação e rendição pelo seu trabalho, cada vez mais, num patamar elevado.

    01 setembro, 2008

    Mãos

    Constítuidas por vinte e sete ossos e dois conjuntos de músculos cada uma. Através delas que evoluímos, comunicamos, modificamos o ambiente, a nossa história.

    Dos mais variados encontros - de um íntimo ou até de um passageiro - e depois de um tempo observando, é das mãos que eu acabo recordando. E nem acredito na possibilidade de Joey Tribbiani ter encontrado seu "identical hand twin" em Las Vegas, pois as mãos tem seus detalhes em entalhes, a personificação que me faz associar até mãos sem rostos, mãos sem bolsos.
    Mãos pequenas, mãos serenas; maciez ou rugas do tempo; manchas e cortes; unhas arredondadas ou achatadas, numa pintura impecável ou roídas, sem unha ou compridas; cúticulas empurradas ou intactas; calos marcados pelo esforço, ou da infância de escritas em cadernos de caligrafia; dedos longos, dedos gordos, com adornos de promessas ou enferrujados no tempo.
    Mãos, que pintam sobre telas memóraveis ou salvam vidas ensanguentadas; que fazem daquele instrumento a lembrança de uma vida embalada; que se juntam numa oração ou numa cantiga de roda; que vertem líquidos evidênciando a ansiedade por uma notícia ou pelo beijo em um banco de cinema; que esfriam xícara no inverno ou esquentam pélvis no prazer; oferecem lenços e até limpam os borrões nos olhos; que são acorrentadas por justiça ou por fetiche; que adormecem e sentem formigas percorrerem e aquele estranhamento como se elas não fossem suas; que seguram sacolas arrebentadas ou crianças cansadas; que se fecham num primeiro contato com o dedinho do irmãozinho ou com a areia da beira molhada; que acenam encontros ou despedidas numa esquina.
    Mãos, com seu próprio senso de denuncia, nos gestos da verdade, entre toques e idade.
    Mãos que machucam, ofendem, provocam, seguram... Mas é das mãos que levantam-me de um tombo ou afagam-me a face e os cabelos, que recordo-me muito bem, fazendo do toque, o embalar de uma feliz e eterna anestesia.


    Mãos ao redor

    E você, conseguiria reconhecer-se em mãos? E o que elas fizeram até então?

    29 agosto, 2008

    Serotonina

    Estamos em falta. Mas se pudesse engoli-la em um único gole, como quem engole sem mastigar a vislumbra alheia, faria, neste instante.

    27 agosto, 2008

    My boo

    Apesar do orgulho muitas vezes não admitir a falta que sente, hoje ele se cala, e mesmo sem querer, deixa escapar uma ânsia há muito entalada na garganta, um grito dos pulmões inundados transbordando incertezas, perguntas sem resposta se chocando violentamente dentro da cabeça, dentro de cada célula, desfilando no fundo
    dos olhares na promessa de uma conversa adiada.

    Hoje tento substituir todas as sensações que pendem de um fio de seda por palavras e lembranças mais delicadas, mas ao meu lado está sempre a espera, que transforma os ponteiros em chumbo, que contamina o ar com o peso que o peito carrega.
    Paraliso! Já não consigo deixar de pensar em todas as evidências de um crime não cometido, misturadas àquela saudade, de cada momento entalhado no 11º andar, sob um Sol poente, dos risos adocicados, das memórias materializadas, das lágrimas entre carros, do bater de portas e o ombro molhado, do virtual para o real, da dormência em um sonho.

    E esperança pra muitos é vitalidade, pra outros não é uma condição necessária à felicidade. Mas nesse meu mundo imperfeito, hoje, pra mim, a esperança é o mal mais necessário. Na ânsia de que a razão vai cessar os murros que tem dado na emoção e no sentido da verdadeira essência de uma amizade.

    Hoje, em especial, desejo mais do que o habitual, mais que felicitações evidentes - Desejo, volta!

    Puxo uma cadeira, me sento olhando para a janela com aquele medo correndo por dentro, medo de que o telefone nunca mais irá tocar.
    E hoje, uma lágrima corre solitária, sem lenços de papel oferecidos, ao som de notas que um dia foram cantadas:

    "It's not always rainbows and butterflies
    It's compromise that moves us along
    My heart is full and my door's always open
    You can come anytime you want
    (...)
    Please don't try, is so hard to say goodbye"

    "But we shared a moment that will last till the end."


    Feliz aniversário, Deusa, Heroína, Iluminada, Bela, minha.
    E hoje eu já nem falo de saudade.

    26 agosto, 2008

    Casa nova: Renovação Criativa



    Juntamente com um grupo do 1° ano de Design da Uniban, a partir de hoje, começo a colaborar com o Blog e o Projeto Renovação Criativa

    22 agosto, 2008

    15 agosto, 2008

    Falling Slowly

    Indicada ao Oscar como melhor canção original, do filme independente Once - Por Glen Hansard e Marketa Irglova.
    Tanto Falling Slowly quanto as outras músicas do álbum, lembram muito o feeling das canções de Damien Rice.



    I don't know you
    But I want you
    All the more for that
    Words fall through me
    And always fool me
    And I can't react

    And games that never amount
    To more than they're meant
    Will play themselves out

    [chorus]
    Take this sinking boat
    And point it home
    We've still got time
    Raise your hopeful voice
    You have a choice
    You've made it now

    Falling slowly,
    Eyes that know me
    And I can't go back
    Moods that take me
    And erase me
    And I'm painted black

    You have suffered enough
    And warred with yourself
    It's time that you won

    [chorus]
    Take this sinking boat
    And point it home
    We've still got time
    Raise your hopeful voice
    You have a choice
    You've made it now

    Falling slowly
    Sing your melody
    I'll sing along