26 fevereiro, 2009

Sonhos

Eu já sonhei que sonhava, quando na verdade, esquecia como era sonhar na realidade.

Todo mundo um dia já se viu nú na escadaria do colégio; correndo com angústia no peito e atraso nos pés ou tomando parte de socos, quando as mãos nem sequer tocavam o adversário.
Custa lembrar dos sonhos, quando estamos mais aqui, do que lá.

Interpretam os sonhos como uma experiência da imaginação do inconsciente ou presságios.
Na noite passada... "Eu estava num cemitério, daqueles monumentais; um menino com aproximadamente 3 anos, atendia por Rafael, pedia abraço, colo e me chamava de mãe. Um outro menino da mesma idade, também queria atenção, mas era como uma criança perdida entre aqueles corredores de estátuas. Eu tentava amparar ambos.
Depois o sonho passa para outro episódio onde crianças negras brincavam no meio de papelões e plásticos nas proximidades da faculdade. E eu andava incansavelmente em volta de muros brancos, grandes e descascados, dizendo: "eu estudo lá". E vinha rostos pouco conhecidos, sentados, desenhando debaixado de tendas".
Estranho, porém lembro de cada minuciosiosidade como se fosse realidade.

Segundo sites por aí, sonhar com:
Cemitério - Se o tempo estiver bom: alegria.
Prosperidade. Saúde para as pessoas do sonho.
Criança - Simbolizam a pureza da alma, o desejo de ser um(a) protetor(a). Também pode representar pontos fracos na sua personalidade, como sentimentos de fragilidade e ingenuidade. Criança bonita e saudável: alegria, sucesso.
Lixo - Amizades estranhas.
Muro - Obstáculos no processo, aborrecimento ou desejo de se proteger.


Se a maior parte dos meus sonhos fossem representados audiovisualmente, seria assim:


Moodorama - Never mind

...sempre retrocedendo, sempre em slow, com cores contrastantes e imagens soluveis.
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9a.m. da quinta-feira, o telefone toca, e algumas coisas se encaixam.

17 fevereiro, 2009


Tipo: B+
Hemoglobina: 12
Hematocrito: 34
Eritrócitos 3,62
Plaquetas: 120.000 mm3
Leucócitos: 4.700 mm3
TTPA: 16,4 seg
Fibrinogênio: 90mg

Por quanto tempo o corpo aguenta com o sangue esvaindo até uma parada cardíaca? Minutos?
Dá tempo de repensar? Dá tempo de reverter? Até que ponto você intervirá? E se passar desse ponto? Quem intervirá por você?
Por quanto tempo sentado, você aguentaria ver seu sangue escorrer, com os pés no piso frio, e a poça vermelha aumentando em volta deles?
O que antecipa? A vista turva? A palpitação? As extremidades roxas? O coração forçado? Ou o desespero?
O que resta depois de tudo? Um choro? Um grito? A roupa manchada? O chão fedendo? Ou uma página virada?

Todo mundo cuida do corpo porque não terá onde viver. Principalmente quando se sabe que ele pode sabotar sua passagem a qualquer instante. Continuamos sustentando esse santuário, essa arma de desespero. Mas até que ponto isso depende de nós?

Eu costumo dizer que o ser humano se adapta à qualquer condição que lhe é imposta. Mas se perguntarem sobre cansaço... o estoque de argumentos e esperanças estão acabando.

15 fevereiro, 2009

Movies #2

Vale [muito] a pena ver de novo, e de novo:

Fatal


-É como não ser capaz de poder se colocar em uma posição confortável, porquê...
não importa pra que lado se vire, você está preso.
Estou presa dentro de mim.
Quando penso nas coisas que
acreditava ser importantes...
as brigas com minha mãe...
é estúpido!
Todo o tempo que perdi... dormindo.


Minha vida sem mim


-Quando você olha para uma pessoa pode ver 50% do que ela é, e querer saber o resto, é o que estraga tudo. ...
-Eu menti.. quando falei que, ao olhar para uma pessoa você conhece 50% dela. Creio que quando olho pra você, vejo... não sei, talvez 10%. E esses 10% são...
...

-Não são tão ruins são?


.

"Você nem sequer lamenta a vida que não vai ter..."


A vida secreta das palavras


-Sabe guardar um segredo?
-Sim.

-Tem certeza?

-Sim.

-Te direi, mas terá que se aproximar, falarei no seu ouvido.
Aproxime-se para eu poder dizer. Mais perto.
-Sim.

-Não sei...

nadar.


.

-Como se convive com o passado?

-Com as consequências.
-Como se convive com os mortos?

-Não sei.

Tem que seguir em frente, suponho.


Coisas que nunca te disse


-Não nos damos conta quando estamos felizes, e isso também é injusto. Deveríamos poder viver a felicidade e poder guardá-la para quando ela faltasse...só um pouquinho, como se guarda cereal extra
na dispensa, como o papel higiênico do banheiro.
-Porque você precisa de extra?
-Você não? É feliz?
[...]
-Então, como é ouvir os problemas dos outros no meio da noite?
-Você quer mesmo saber?
-Sim.
-É melhor que ficar em casa e pensar sobre os meus problemas.
-Por isso faz isso?
-Não acho que você tenha ligado para falarmos de mim. Vejo que você parou de chorar.
-Você sabe o que é o amor?
-Não. Por quê?
...

.

"Há muitas coisas que eu gostaria de ter dito a ela.
As coisas que você sempre diz serem as mais importantes. Mas...não é sempre assim?"



Conversas em lavanderias, as (im)possibilidades de fazer/dizer algo, antes de qualquer interrupção (im)prevista; a maneira de explorar com delicadeza solidão, depressão, enfermidade, amores instantâneos, a sensibilidade das coisas que aparentam tão minimas, o que caracteriza e me encanta nos filmes de Isabel Coixet, uma das minhas favoritas, como um post-it escrito: "Você está vivo"

02 fevereiro, 2009

Design #7

5° semestre iniciando e eu estou de casa nova.

É difícil tomar alguns rumos sem olhar pra trás, sem um pouco da covardia que assola quando as malas foram desfeitas a mais de 2 anos; quando ainda não aprendeu a lição do desprendimento; quando havia projetado o futuro, mesmo que incerto, e de repente, tudo muda, os rostos, os caminhos, o tempo, o suor... Sem contar o medo do que está do outro lado da porta dessa nova casa. Mas a vida, acadêmica principalmente, é assim, com idas e vindas, aprendizados e lembranças que não foram em vão. Nada é em vão.
Eu não estou levando uma pequena caixa, mas uma bagagem, suficiente pra usar daqui pra frente, e reservando bolsos pra preenche-los logo mais.

19 janeiro, 2009

Férias e um copo cheio de saudade

(...) a leitura da ponta dos dedos; o resmungar do nariz; os fios de cabelo bagunçados com a inquietude sobre o travesseiro; a meia luz da noite e a meia luz do dia que invadem o quarto pelas frestas; os golpes precisos; os músculos enfraquecidos; o estalar dos ossos; os risos não contidos; o entregar aos embaraços; as manhãs de domingo; o encarar sério tentando vencer pelo cansaço e pelo entregar de sorrisos; a face afundada no decote, enganando o rubor da timidez; as melodias que embalam a intimidade; os acordes que remetiam a partida; a falta de ar debaixo d’água; a falta de ar com pernas trêmulas e a falta do ar com coração querendo falar “saudade”, “amor”, “não vivo sem você por perto”.

Mais do que palavra sem a tradução das línguas, saudade é o sentimento único que não mensura a força com que rasga o coração, a quilometragem que separa os corpos ou razão pela qual se manifesta; ligando os dias não muito distantes e de sensações que deixam resíduos. Todo mundo um dia já se sentiu assim, e é quase uma estupidez enganar-se de sua existência, fazendo com que "o longe" e "o perto" pareçam tão iguais e confundidos como pernas e estrelas.
A saudade é uma dor da espera, e nem é dor física, mas dói, dói pra caralho, e ora outra, uma voz, uma conversa, reler cartas, rever fotos, ameniza em doses homeopáticas essa dor, esse querer trazer de volta pra a realidade palpável e vivida.
Ninguém tem saudade de dor, de tapa, de grito. Ou como diria Neruda: "Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: aquela que nunca amou". E é ela que nos faz aquela visita nas horas mais inoportunas, mais frias e vulneráveis, e só cessa - quando cessa - com retornos.

Mas a espera e o tempo, apesar de arrastarem arados, valem quando carrego essa ânsia, do melhor que está por vir; do momento exato em que em meus braços, terei de volta todo aroma que busquei durante dias na casa, na cama, no chuveiro, no terraço, nas ruas de SP, no sonho e na realidade.

E o melhor de tudo é que hoje, eu tenho mais dedos nas mãos, do que dias pra contar.

13 janeiro, 2009

Design #6

What really matters to you / me ?




We Think - Mass inovation, not mass production



*Design Sustentável
Há quem guarde o amor no coração, outros o digere e guardam no estômago, e até no nariz, quando sentem o cheiro e o gosto do amor.
Me perguntaram onde é que eu guardava o meu. Bem, eu guardo no sangue, ou pelo menos, tento. Mesmo sabendo que de vez em quando ele esvai. Ao menos ele percorre o corpo todo, o tempo todo, como o fluxo da vida.

Amor como hemácias, oxigênando.
Amor como plasma, coagulando.

Amor no sangue. Amor vital.



Onde você guarda o seu?

08 janeiro, 2009

Leitura #1

Começo aqui uma série de posts voltada pra leitura. O ano mal começou e eu já mergulhei em livros. Terminei dois livros em 3 dias - Entre quatro paredes - Jean-Paul Sartre e Malu de bicicleta - Marcelo Rubens Paiva.

Já comentei com o dono dos livros que esse último, a príncipio, havia me irritado. O protagonista é um galinha sem limites, um putão neurótico e reclamão, que no fundo, no fundo, era inseguro e não conhecia nada sobre as mulheres, ou melhor, conhecia tudo, mas só usava pra tirar proveito das curvas alheias; só pensava em sexo. E com aquela pontinha do feminismo a flôr da pele enquanto lia, torcia pra tudo dar tudo errado com ele.
Bom não vou falar muito, mas a história gira em torno da paixão dele por Malu, a carioca da bicicleta. Uma historia bonitinha, romântica, erótica, sórdida, cheia de contradições e boca suja, em um momento ou outro o personagem quase se redimiu pela minha afeição, mas ainda continuo achando que é um cuzão.
Posso dizer que gostei da disposção em que a história se desenrola, do humor de baixa categoria. Não conseguia parar de ler, e no fundo deixa o gosto (des)conhecido de amor, traição e confiança.

Malu costumava me olhar enquanto eu dormia, Só descobria quando abria os olhos surpreendendo-a. E cheguei a perguntar:
"O que você está vendo?"
"Você."
"Você não dormiu?"
"Não costumo dormir a essa hora."
"Ficou me vendo dormir."
"É."
"Por quê?"
"Porque é bonito."
"Eu dormindo?"
"É."
"O meu rosto?"
"Tudo. Você tem umas pernas bonitas"
"O que são pernas bonitas?"
"Assim. Branquinhas, fininhas, com estas pintinhas"

Passamos quatro noites naquele quarto. Contando pintinhas, catando cabelos, alisando sobrancelhas, deslizando o dedo em dobrinhas, procurando ler retinas, conhecendo as orelhas, escutando a barriga roncar, roendo cutículas, ouvindo os tons e escutando as batidas dos nossos corações. Trepávamos antes e depois do banho. E antes e depois de comer.

07 janeiro, 2009

Fotografia #2

One year in 40 seconds


por Eirik Solheim
Imagens e sons de uma mesma paisagem em Oslo, Noruega - captadas durante um ano, compiladas em 40s.

05 janeiro, 2009

Fotografia #1

Decidi abrir uma série de posts sobre um dos meus melhores passatempos (ou seria a melhor afeição?), a fotografia.

Certa vez questionaram-me sobre a desvalorização da pintura em relação à fotografia. Sem protelar, respondi: "O momento exato só pode ser registrado com a foto. A pintura sempre terá seu devido valor e beleza, mas é necessário a disposição de espaço, sentimento de quem o faz , tempo pra realiza-la. E talvez até o seu fim, ela poderá ser modificada. A fotografia não, é o momento exato das emoções, da sua história".

Há quem não goste de uma câmera apontada sobre o rosto e estampar um sorriso amarelado, mas a fotografia além de ter a função para identificar algo, seja ela pra fins legais ou culturais, é uma das primeiras coisas em que as pessoas se preocupam em não perder; evitando que as tragédias e os fênomenos climáticos destruam suas histórias - suas únicas lembranças de um passado retratado - que nunca mais poderá repetir-se existencialmente.


Foto: 6pm - 7pm - 8pm [Summer]*
por May
*Essas fotografias, tiradas num breve espaço de tempo, são exemplos da transformação das coisas em nosso meio; a cor, o ângulo, os detalhes de uma mesma cena; o tempo que passa ou rostos que se modificam em frente à uma lente; das coisas inesperadas que estão prontas para serem registradas com seu próprio Feeling.

Minha galeria de fotos

31 dezembro, 2008

[ e s p a ç o ]

"Valorize aquilo que não pode ser verbalizado. Isso é ter consideração pelos que estão mortos. O tempo elucidará muita coisa. O que deve restar, restará, e o que não deve não permanecerá. O tempo resolve a maior parte das coisas. Você deve resolver o que o tempo não resolve"

"Tudo, um dia, deixará de existir. Todos nós vivemos em constante transformação. Um dia, quase tudo que existe ao nosso redor irá desaparecer com as nossas atitudes. Isso não tem jeito. Quando chegar a hora, irá sumir. Enquanto não chegar a hora, continuará existindo."
- Haruki Murakami


Parte dos meus amigos conheci pela dor, e de uma maneira ou de outra, nos afastamos pelo amor, pelo tempo, pela distância ou pelo resto de consequências que a vida nos impõe; de papéis desempenhados que a sociedade capitalista tomou o direito de classificar, fazendo com que você se sinta diminuto, vazio, quando não se encaixa em nada, quando não cumpre as regras, ou não tenha um esboço num bloco amarelado.
Sinto-me conformada com os caminhos tomados, e sempre espero por mudanças. Mas é bem difícil admiti-las quando se ouve falar em rumos prematuros.
Hoje, me vejo distante de boa parte do que vivi, do que acreditava - quando apenas ouvia histórias - na perfeição das coisas, num diagrama, pronto pra ser conquistado.
Hoje, o antigo sonho se encontra fragmentado e embaralhado, mas ainda assim, consigo discernir a distancia e a realidade (im)perfeita das coisas e do que eu ainda devo manter, pra não morrer um pouco a cada dia.

Talvez, isso tudo seja apenas um lamento, dos corpos que se distanciaram, do fim que se aproxima, da inevitabilidade... Mais um ano que se encerra; mais um ciclo; mais uma janela que se fecha, interrompendo o vão que foi gasto com o tempo e com as consequências da palavra proferida ou das malas feitas no meio da madrugada.

Faço julgamento das últimas ações e consequências que me faz permanecer no mesmo lugar, tentando evitar ser tragada pelo tempo precocemente. E não há nada neste mundo que seja imutável, mas não há como não sentir-se inerte, quando sua lista de resoluções passadas não foram riscadas com tinta vermelha.

Poderia usar todo esse vômito para encerrar o ano e tentar basear-me em resoluções para o próximo, como uma muleta emocional, acreditando na renovação, em que as coisas serão mutáveis ou recuperadas. Mas sei que nem a metade do meu esboço seria concluido. E mesmo que tento privar-me da auto decepção, ainda assim, mesmo com todo esse atropelo de sentimentos em letras do que foi vivido, providencio minhas malas. O pouco do "eu" que me resta pra mudar, antes mesmo do ano acabar.

Mas, somente uma coisa eu tenho certeza para o próximo ano, meu coração permanecerá no mesmo lugar.

27 dezembro, 2008

O céu também chorou

E ele partiu... Não de vez, mas de novo.



Uma despedida que deveria ser comemoração da nossa contagem, nesta cidade que chora comigo com a partida.
Pode parecer bobagem quando se carrega a certeza no peito, mas ainda assim, é difícil se encontrar (ou se perder?) nesta cidade que nos traçou, e não deixar escorrer em silêncio uma lágrima de saudade prematura.

"Morning lights don't scratch my eyes
Just let me wash up on the shore
I used to have the strangest dreams
But they don't come here anymore
My duvet's laid out like an outless with stains to mark the borderlines
Indentations in my pillow I hope won't fade with time

Smoke the roach left in the ashtray on which I choked the night before
Stuck my toes under a clothes like mountain ranges on the floor.
I pick my way through crusty dishes and their greasy chemistry
I washed two cups and the remember that you've left already.

I let you go so reluctantly and I can still hear your lazy symphony
And just when I found my calling, it's another mourning morning

The say the devil's in the detail
I'm gonna blow my eyes instead
I put my memories in a landscape where only reckless angels tray
I watch the fingerprints you left like a secret code upon my skin
And I remember when you told me a guilded crown won't make a king

I really want you to stay but I know you have to go
I really want you to stay but sometimes it doesn't show
I really want you to stay but I know you have to go
I really want you to stay let the conversation flow
I really want you to stay but I know you have to go
I really want you to stay but sometimes it doesn't show
I really want you to stay but I know you have to go, have to go again

I let you go so reluctantly and I can still hear your lazy symphony
And just when I found my calling, it's another mourning morning

I really want you to stay but I know you have to go... have to go again

[Mourning Morning - Just Jack]

18 dezembro, 2008

Metade

No decorrer da vida nos deparamos com rostos e gostos. Mas em algum momento, no processo de crescimento e aprendizado, encontrei a metade que faltava pra completar minhas idéias, minhas motivações, meu senso criativo, meu suor, meus melhores e piores momentos, compartilhados em extremos que nos permitiram voar ou permanecer com os pés no chão.
É bem fácil falar da boca pra fora que somos amigos de alguém que sonha dos mesmos sonhos, da mesma carreira - futura profissão - mas é bem diferente quando a cumplicidade mostra a cara pra objeção das coisas tentar dar o tapa. E no decorrer dos 2 anos letivos da faculdade, descobri que a troca sempre foi equivalente quando se tratava dela, e mesmo com as circunstâncias e pedras lançadas em nossa direção, o sucesso sempre carregou o peso da sua palavra no fim de tudo. E é por isso que descobri que todas as estrelas brilham à sua maneira, mas que a estrela dela possui atributos e virtudes que a fazem brilhar muito mais.

Portanto, isso não é apenas uma homenagem pelo seu dia, mas um agradecimento pela maturidade que obtemos em 2 anos; pelos risos e gritos que nos ensinaram de que nada vem fácil, nada vem em vão, não há conquistas sem esforço, sem compreensão, cumplicidade e trabalho em conjunto.



Metade que completa minha criatividade,
Eu só tenho a desejar sucesso, porque o Design merece você!

16 dezembro, 2008

A Fórmula do Amor

Em algum momento da vida procuramos a fórmula do amor, ou a perfeição que nos fizeram acreditar existir numa relação, quando na verdade, sabemos que ela só é perfeita a medida que nos adaptamos à realidade (im)perfeita das coisas.

Hoje meus pais fazem 30 anos de casados. Perguntei à eles sobre a fórmula do amor, e eles nem souberam ao certo responder. Pra falar a verdade, meu pai nem se lembrava da data ou de quanto tempo eles estavam juntos, se pondo a contar os fatos nos dedos.
Me pergunto se os casais mais antigos já nem se importam mais com isso e já se adaptaram aos tempos, ou se hoje, deliberamos demais sobre sexo, para não nos aprofundarmos demais no amor ou no sofrimento que ele já nos trouxe, pelo excesso de um amor visceral ou pela falta em um amor unilateral.

Indecifrável amor!


Love Potion - Á venda na farmácia mais próxima.

Tantas canções, tantas poesias falam sobre ele.
O quanto ansiamos por ele, e quando encontramos algo que se possa defini-lo “ideal”, por assim dizer, muitas vezes fodemos com tudo, pensando, insatisfeitos, nas coisas do que ainda não se sabe, nos crimes (não) cometidos.
É claro que muitas histórias encerram-se ciclos quando não há mais caminhos a serem percorridos lado a lado, mas vejo que hoje muitos precisam de pouco pra desistir, e que existe um grande paradoxo quando se procura e se vive uma relação.
Já não sei mais se exista um ensaio sobre a relação boa e estável, pois nem sempre estamos prontos pra encarar, pois sempre esperamos o pior de tudo, acostumados demais com o sofrimento e um sentimento que nos seja negado, vendo malas sendo feitas prematuramente, sem ao menos esperar pela manhã seguinte.

"Eu tenho o gesto exato, sei como devo andar. Aprendi nos filmes pra um dia usar.
Um certo ar cruel de quem sabe o que quer. Tenho tudo planejado pra te impressionar.
Luz de fim de tarde, meu rosto encontra luz. Não posso compreender, não faz nenhum efeito.
A minha aparição será que errei na mão. As coisas são mais fáceis na televisão.
Mantenho o passo alguém me vê, nada acontece, não sei porque
Se eu não perdi nenhum detalhe, onde foi que eu errei

Ainda encontro a fórmula do amor"
- [Leoni e Léo Jaime]

Ou talvez devemos nos manter pessimistas aos modos tradicionais e ser assim tão práticos:

"Ninguém encontra uma alma gêmea. Na vida tudo que você arranja, se tiver sorte, é um parceiro. Apenas um parceiro. Alguém com quem você fode e vai ao cinema. Fode, e dai você vai ver outro filme. Fode, vai num show de comédia. Fode, vai pra casa da sua avó. Fode, vai pra casa da sua mãe. Fode, vai ver outro filme. E em algum momento, entre as fodas e filmes ele diz: "Quer ir comer alguma coisa?" E é só isso que as relações são, nada de tão complicado. É só foder e comer. Se não gosta de foder com alguém e não gosta de comer com ela, não precisam ficar juntos." - [Chris Rock]

Qualquer que seja a relação que decidimos preservar, sabemos que na verdade - e estamos cansados de saber - não existe uma fórmula exata pro amor. Mas eu acredito na divisão das coisas, para que elas possam caminhar da maneira que devem ser, no seu estado, no seu presente e sobretudo, o que você conquistou até então, direi que o amor, apesar de possuir seus paradoxos - já que estabelece o vinculo da união - é importante que a liberdade - autonomia e individualidade de cada um – esteja presente nessa relação que esta cidade, este lugar, este encontro, colocou à sua frente. E não, ninguém obriga ninguém a iniciar uma história, e ela só se encerra com 50% da"culpa" de cada um.

É, eu sei, parece fácil falar, ou escrever. Em teoria é tudo muito fácil, mas na prática é preciso um pouco de cautela e auto-controle com os maus hábitos de relações passadas ou que nos fizeram acreditar ser perfeitamente boa enquanto durar.

Porque não fazer durar?

Apesar de parecer difícil, a experiência é o que nos educa, e o que nos faz parar de sermos bebês chorões, adolescentes indecisos, adultos idiotas.

As pequenas coisas começam a fazer mais sentido do que o conto de fadas. E a doçura de uma relação não é apenas buquês ou adornos de promessas, mas silenciosamente observar através de um corredor, o espalhar de um corpo no puff da sala, com sorriso estampado ao ver alguma bobagem na TV ou o profundo adormecer numa manhã de domingo. E que essas doçuras não estão presentes apenas nas conquistas e no inicio de tudo, mas no cotidiano que faz parte de uma parcela dos dias que nos seguram aqui.

10 dezembro, 2008

Design #5

E chega o fim.

É claro, não "o" fim, mas enfim, fim do ano letivo de 2008. Pausa para um descanso, das obrigações em uma Universidade, dos projetos, mas nunca pausa para os pensamentos, idéias e ideais, pois a minha cabeça está sempre no Design.
Essa sensação toda não é única, pois quando se tem mais 2 anos pela frente, as férias pode não parecer algo que venha remediar muitas coisas, mas não deixa de proporcionar aquele alívio, aquele fulgor enquanto cruza os corredores em direção à porta de saída, de que nada foi em vão, que valeu a pena as noites em claro; a caixa de emails lotada de discussões; a corrida contra o tempo pra chegar na gráfica antes da fila virar o balcão; os cortes nos dedos com uma mísera folha de sulfite e a mesa da cozinha arranhada por estilete; as manchas de spray espalhadas pelo quintal da casa; as pilhas de apostilas sobre ergonomia, estética e semiótica pra ler [...] Colar, pintar, desenhar, pesquisar, criar, inovar, solucionar, planejar, projetar... Ufa!

Por ora, não quero e nem tenho muito o que pensar sobre a minha Universidade, o rumo em que as coisas irão tomar dentro de 10 dias. Só quero ter aquela sensação de desprendimento das coisas que me fizeram perder a cabeça no último semestre.
Aproveitar o que essa cidade tem de melhor pra proporcionar, mesmo sabendo que depois de uma semana eu já estarei entediada

Resoluções improváveis, préviamente furadas, para o próximo ano letivo:

- Comprar e LER livros da área;
- Não chegar tão atrasada nas aulas;
- Não tentar gerenciar todos os projetos;
- Não deixar as coisas pra última hora (Há);
- Não estudar só no dia da prova;
- Não discutir com gente incompetente;
- Não ir à exposições e museus só no final do ano, como atividade complementar, só porque tenho carga horária à cumprir;
- Ser mais produtiva durante o dia;
- Ler mais;
- Pensar mais e projetar também.

Chega! Tô de férias!

09 dezembro, 2008

Design #4

“Criatividade não significa improvisação sem método.” - Bruno Munari

"Pense mais, projete menos." - Ellen Lupton



Pra todo projeto é necessário um método. E pra ambos é necessário pensar, pensar muito.
É possível alguém gastar uma cota de pensamento, idéias, criatividade em um único semestre?
Se isso existisse, apesar de parecer, a quantidade gasta até então é ínfima comparada à quantidade de coisas que estão por vir.



Se hoje me assusto com a quantidade de pensamentos e idéias que surgem, até quando não preciso delas, amanhã me assustarei com a quantidade de suor que irá verter com os projetos que me aguardam nos próximos anos.
Tem hora que acordo em oposição à tudo, às minhas escolhas e afeições, com o cansaço de ter que inovar toda vez que tiver que projetar algo. Mas não consigo ver suor vertendo por outra coisa, a não ser pelo Design.

29 novembro, 2008

Design #3

"Quando não se sabe escrever é comodo dizer que a caneta não presta."

O mesmo vale para falta de postura, comunicação, proatividade em um grupo. Quando existem essas falhas num profissional, ou no caso, um pseudo futuro profissional, é comodo apontar o dedo para os outros depois que um projeto está pronto.
Gerenciar não é operação de uma ou duas pessoas, mas uma divisão de tarefas dentro de cada perfil, uma colaboração de todos os envolvidos. E quem não sabe se adaptar em qualquer relação que exige comunicação e responsabilidade, pode tirar o seu da reta, porque gerenciar e projetar exige tudo isso.



Sei que conflitos existem, desde que eles sejam compreendidos durante o processo e não depois que finalizamos.
Pessoas com essas falhas, quem sabe um dia, com muito tapa, cresce, ou tem mais é que se foder mesmo!

E ainda temos que "competir" com micreiros, semelhantes à macacos aparentemente mudos que pulam de galho em galho, quando na verdade estão praguejando por detrás.

25 novembro, 2008

Reações Previsíveis

A convivência é algo que nos ensina a captar as reações alheias.
É claro que muitas vezes o orgulho mascara muitas delas, mas quando falamos da intimidade, ou do conhecimento da personalidade pelo tempo que a convivência toma conta, as reações são realmente previsiveis. Como na inveja sobre a competitividade. Isso é algo que muitos não conseguem esconder, evidênciando no tom da voz, em objetos lançados em movimentos bruscos e até numa nova forma, ríspida e intragável, de te tratar e lançar um olhar. O reconhecimento é sempre almejado nesses casos. E quando se reconhece o ofício alheio, com sentimentos corrosivos, custando olhar pra dentro e ver o que há de errado, sempre existirá criticas desconstrutivas, continuando com reações tão previsiveis quanto a excelência do trabalho alheio.
Ou então, a previsibilidade está na mudança do status de relacionamento, que toma todo o tempo e autonomia de alguém. É quando as pessoas não sabem mais tomar decisões, pois vivem em função da agenda ou vontade do parceiro. Sem contar que se caso essa relação acabe, a culpa vai ser do outro, claro.

Posso citar também as reações, ou melhor, as reclamações de quem tem menos idade que deveria pra se queixar tanto, de coisas sem sentidos, contraditórias.

Não preciso mais de uma bola de cristal.
A medida que o tempo passa, a previsão se torna mais presente nas reações, do que as pessoas no cotidiano, ou em um evento que acontece uma vez ao ano, como um aniversário.

18 novembro, 2008

Fazer 25 anos...

...é como estar numa corda, do balançar entre a inocência e a vulgaridade; da serventia e a vaidade; do amadurecer e o apodrecer; da certeza e o cansaço.
É contar as vindas e idas, de quem arrancou de você o melhor e o pior. Levando embora, ou deixando marcas.
É pensar sobre sua carreira que ainda se encontra nos portos e ter que arranjar um jeito de caminhar como tantos, quando na verdade você só quer voar e lançar pra bem alto, tudo que conquistou até então.
É lembrar de colares adornados enquanto passava creme da mãe escondida no banheiro, e hoje já usar Renew no rosto e Chronos nas mãos.
É achar que algo no passado foi à pouco tempo, quando na verdade passaram-se mais tempo que as areias puderam contar.
É a transição dos 20 e poucos pros 20 e tantos.
(...)
Além de tudo isso, não é apenas fazer 25 anos, mas uma mulher, espetacularmente chegar aos 25 anos.
E ainda ouvir várias bobagens, de que uma mulher chegar aos 25 sem namorado, pode ficar encalhada.
Que mulher é essa que com isso ficaria encanada?
Sem dúvidas, uma mulher insegura, sem auto-suficiência e amor próprio.
Modestamente, não é assim que me encontro, pois chego aqui com amadurecimento, sem neuras sobre lendas urbanas e com um namorado, 5 anos mais novo.
Posso dizer que tudo na vida é uma faca de dois gumes, mas pra mim o que importa hoje é a pura essência do querer bem e me fazer bem, independente de primaveras a mais ou a menos. O que importa é sentir-se bem e maravilhar-se com as semelhanças; respeitar as individualidades e diferenças. Ou melhor, tudo certo, na medida exata do meu amor, na medida exata com que o tempo resolveu me presentear.

Quanto ao amor próprio, descobre-se sozinha. Mas é claro que é bem difícil conseguir esse amor, nesse mundo leviano que arrastamos por aí, fingindo que tudo esteja correto, e que não nos importamos com tudo que nos surra a face, entonando as linhas do rosto precocemente.

O tempo passa. Será que continuamos os mesmos no rosto, nos gostos...?
Quando chegamos até aqui, não há ninguém que possa ensinar sobre o amor, sobre a vida, sobre a dor.
E posso dizer que até então, estou no meu ápice das descobertas de imagens refletidas nesse espelho, do pouco pedaço de terra que conheço. Procurando ainda entender o mundo, insatisfeita com tantas rachaduras que ele apresenta, mas pronta pra mergulhar em novos ciclos, em novos vícios, em novas (inov)ações... Sem medo do tempo que gradativamente morre como cinzas entre os dedos.

Posso até me cansar em comparar as resenhas das primaveras passadas, e ver que nem tudo que esperei mudar, mudou. Mas hoje é satisfatório um pedaço meu chegar até aqui, sendo essa mulher (in)completa quem sou e ainda contar uma história - triste ou não - com tantos dedos e gatilhos apontados no caminho, com tantas dores e lembranças, mas ainda assim uma história; de quem enche os pulmões com esse ar imundo, tentando evitar o inevitável...
E apesar de tudo, sei encontrar uma flor nesse lodo. E se ajoelho pra colher a flor, sentindo dela o cheiro do orvalho evaporado, é porque muitos ainda fazem valer esse amanhecer; essa inevitabilidade toda que se encontra no evento da vida.
Por isso, agradeço a companhia nos invernos e primaveras. Agradeço as lembranças e o afeto, todas guardadas na caixa da memória.

Fazer 25 anos é lindo.
E ser adulta ainda não me privou de amar, de ter esperanças e acreditar no ser humano e no que esse evento louco e insano da vida tem a me proporcionar.